Um pouco menos do mesmo
Se olhado com olhos de ver,
em tudo poesia há de haver,
mas essa que faz o poeta
é a arte de afagar, com verve
nos versos que o poeta serve,
o coração e a mente mais leve.
O poeta é um garimpeiro, mas:
O poeta não se limita ao garimpo.
A gema que arranca do solo, suando
examina, lapida e passa a limpo
até que fique o tal poema brilhando.
Portanto, na labuta poética típica,
raramente o verso acontece ligeiro.
Eis que ele paga o preço de não ser clicheteiro
com eterna e dura vigília estética.
O primeiro perigo à espreita,
no qual cai o poeta neófito,
é levar os versos aos lugares,
lá onde já foram milhares,
colher versos das mesmas flores,
poetizar os mesmos amores,
os mesmos gorjeios e afim séquito.
É o tal “Mais do mesmo” que se chama clichê.
Há verso caviar e até pralinê.
O caviar, quem não come de boa?
Mas, se demais, até dele a gente enjoa
acaba toda graça que tinha
e o poeta, na hora, só arrota sardinha.
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