Poesia


Uma breve prosa sobre poesia

Poesia não é escrever versos açucarados sobre flores, beija-flores, amores e que tais. Na verdade, também é, mas não é só. Poesia não são belos pores de sol, lindas borboletas voejando pelo céu azul, não tem nada a ver com todas essas indiscutíveis belezas. Na verdade, também tem, mas não é só. Poesia também não é uma formatação de um texto, não é escrever versos formando estrofes e estrofes formando poemas. Na verdade, também é, mas não é só. Poesia não é texto com rimas e métrica. Na verdade, também é, mas não é só. Mas afinal, o que é poesia então?

Não sei o que é poesia, mas sei que ela está não apenas no belo, mas também no feio; está no doce tanto quanto no amargo; está em texto rimado, rigorosamente metrificado tanto quanto no texto sem rimas, sem métrica; está nas grandes vitórias e nos mais miseráveis fracassos; há poesia na vida e há poesia na morte, no medo, na solidão; poesia está por toda parte do nosso dia a dia. É que poucos prestam atenção à presença da poesia nas pequenas coisas da vida. A poesia está lá, só basta alguém senti-la e ser capaz de evidenciá-la para as outras pessoas. O poeta é aquele que encontra palavras que outros não conseguem encontrar para traduzir a emoção quando se deparam com um fenômeno poético.

Então aqui está a minha poesia. Posso até falar de flores, mas a emoção poética, não sei porque, geralmente me surge onde só parece haver feiura, amargura, perda, dor, injustiça, desconhecimento, incompreensão e tristeza. Mas não necessariamente é poesia amargurada, revoltada; é sobre esses fatos indiscutíveis, mas incompletamente ditos; inevitáveis, mas evitados sistematicamente ou inconscientemente. É uma poesia que se expressa o mais que pode na reflexão inusitada e seguindo os meandros mais camuflados na ostensividade óbvia das coisas. Fujir da repetição, do mais do mesmo tanto quanto possível. Não afirmo que estou fazendo isso com pleno sucesso, mas a estratégia é essa. Espero que você goste.

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