Lorem


Pequenos deuses do agora

O poeta é um fingidor,
Mas não finge no próprio rosto
Como no palco faz o ator.
O poeta finge nas palavras.

A ideia, a sonoridade
Combinadas de forma inusitada
Criam imagens mágicas
Por trás da realidade.

Com palavras,
Dessas que andam pelos ares
Ou dessas presas no papel,
O poeta finge tempestades
Em oceanos e copos d’água
Ou onde nunca acontece nada.

Nenhum poeta verdadeiro
Assina contrato com o real,
Mas com o mistério
Que é desvendar poesia
De tudo, de nada,
Do bonito, do feio,
Do certo e do errado.

O poeta, meu amigo, somos todos,
Somos você e eu, o João e o Raimundo,
Pois sem poesia nesse mundo
Metade da gente de tristeza morreria
E a outra por suicídio optaria.

As palavras do poeta são fingimento
Que em mentira não consiste.
Só fingem tão completamente
Que chegam a fingir que há outro mundo
No mundo que de fato existe.

Não sou apóstolo, mas eu prego
Que Deus é o poeta dos poetas,
O maior de todos,
Pois criou realidade
Usando só um verbo.

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