Diante de um caixão
Bem diante desse teu mortal silêncio,
Das carpideiras num escuro canto
Ouço lamentos em sinceros prantos.
Elas curvadas sobre rosários e rezas,
Os outros vivos quase mudos de espanto.
Seus murmúrios, que de morte falam
Como se na vida o fato fosse inédito,
Se desamparam ante contas que resvalam
Entre dedos úmidos e decrépitos.
Lágrimas vivas para uma velha morte
Sempre o mesmo abismo inútil -
Que separa um lado e outro -
Pois aqui não há ninguém afoito
Pra deixar o lado vivo
E chegar cedo ao lado morto.
Os desolados querem logo achar conforto.
Curvam-se as bocas aos ouvidos
E se murmuram convencidos
Que melhor está o morto posto entre flores no caixão
Que os vivos eretos se arrastando sobre o chão.
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