A sombra do portão

Caro portão,
Tua sombra grandiosa
Quase a vejo assombrosa.
A silhueta, se te olho enviesado,
Parece verter solerte do âmago vigoroso
Dos teus pilares lenhosos,
Não da claridade macia do sol.
Mas o que me espanta mesmo
É que da tua forma alterosa
Brote uma espécie de lamento
Em meio ao silêncio latente.
Será que te incomoda ou te atormenta
Teu destino de instrumento que isola
Ou é só minha alma de poeta em tua ode
Vendo mais do que se deve ou se pode?
Mas não te assombres, caro portão.
Tu és só ferramenta, artefato.
Tu e tua sombra são apenas projeções
De um lado sombrio do teu criador
Que carrega na alma dele
Todos os portões ideados…
E alguns jamais serão abertos.
Ass.: Um poeta.

Comentários